A jornada de 22 múmias de famosos reis e rainhas do Egito

Aqui mesmo estava o destino final da jornada iniciada pelas múmias reais desde o coração da antiga capital do Egito (Tebas) até o coração de nossa capital milenar (Cairo).
Aqui, no Museu Egípcio na Praça Tahrir, inaugurado em 1902 e considerado até hoje um dos museus mais importantes e renomados do mundo, estão abrigados mais de 100 mil artefatos que contam a história da civilização egípcia ao longo de milhares de anos.
Por mais de cem anos, pessoas de todo o mundo vêm aqui curiosas para conhecer a história, a história de uma civilização que ensinou à humanidade o significado de ser civilizado, a ciência e as artes, a arquitetura, a medicina e a astronomia. Fornecendo à humanidade o primeiro modelo de um estado forte, construído sobre o conhecimento e a fé.
Os antigos egípcios acreditavam na alma, em sua imortalidade e eternidade na vida após a morte, o que os fez excelência em escavar e decorar seus túmulos, além de dominar a arte da mumificação para preservar as múmias.
E com o advento da egiptologia e os trabalhos de missões de escavação científica nos sítios arqueológicos egípcios, milhares de múmias foram descobertas, mas o segredo do processo de mumificação permaneceu um mistério que fascinou os cientistas por décadas.
E mais uma vez o Egito desumbrou o mundo com um evento sem igual: 22 múmias de famosos reis e rainhas egípcios se preparam para uma jornada lendária, mudando-se do Museu Egípcio em Tahrir para o Museu Nacional da Civilização Egípcia em Fustat.
A maioria das múmias reais que embarcarão nesta jornada foi descoberta em dois esconderijos: o Esconderijo de Al-Deir Al-Bahari, dentro de um túmulo no coração da montanha de Al-Deir Al-Bahari, a oeste de Luxor, descoberto no ano de 1881. E, no ano de 1898, o segundo esconderijo foi descoberto dentro do túmulo de Amenófis II, no Vale dos Reis, na margem oeste de Luxor.
A múmia do rei Seqenenre é a mais antiga do desfile. O rei Seqenenre foi quem iniciou a guerra de libertação contra os hicsos. Seu filho, Ahmose, completou a expulsão dos hicsos e fundou a 18ª Dinastia e o Novo Império. O restante dos reis e rainhas que embarcam neste desfile pertence ao Novo Império. Este Desfile Real inclui as múmias da rainha Ahmose-Nefertari e de seu filho, o rei Amenófis I, ambos venerados por muitos anos após suas mortes.

A múmia da rainha Hatshepsut, que enviou as mais famosas expedições comerciais à terra de Punt, também está no desfile; ela também construiu um templo magnífico em Al-Deir Al-Bahari, em Luxor, considerado uma maravilha arquitetônica.
A múmia do rei Tutmés III também está entre o Desfile Dourado; ele foi um dos faraós egípcios mais importantes da história e um líder militar genial.
Além disso, a múmia do rei Tutmés IV está entre o Desfile Dourado. Foi ele quem ergueu a "Estela da Esfinge" entre as patas da Esfinge em Gizé, contando a história de como ascendeu ao trono. Ele relata ter visto a Grande Esfinge em seu sonho, prometendo-lhe o trono do Egito se ele removesse a areia que cobria a estátua gigantesca. Assim, Tutmés IV sucedeu a seu pai, Amenófis II, no trono.
E em nosso desfile lendário está a múmia do rei Amenófis III e de sua esposa Tiye. O rei é bem conhecido por seus monumentos gloriosos e obteve sucesso em manter a estabilidade e a prosperidade ao longo de seu reinado. Sua esposa, a rainha Tiye, é a mãe do famoso rei Amenófis IV, conhecido como Aquenáton.
O desfile também inclui a múmia do rei Seti I, conhecido por seu distinto túmulo escavado na rocha, um dos mais belos túmulos do Vale dos Reis. Os relevos no templo de Seti I em Abydos são considerados uma das criações artísticas mais bonitas do Novo Império.
Entre as múmias mais famosas a serem transferidas está a de Ramessés II, o grande e antigo rei egípcio que governou o Egito por quase 67 anos, sucedendo seu pai, o rei Seti I.