O Livro dos Mortos no Antigo Egito

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O Livro dos Mortos no Antigo Egito

O LIVRO DOS MORTOS é um papiro ilustrado colocado na tumba como um guia para o falecido durante sua jornada perigosa pelo ALÉM-TÚMULO. O Livro dos Mortos é uma composição dos textos religiosos mais antigos e importantes do antigo Egito. Alguns dos escritos datam do período pré-dinástico do Egito e tinham 4.000 anos na época de Jesus. O Livro dos Mortos não é um livro como o conhecemos, mas consiste em rolos de papiro que contêm uma coleção de feitiços, encantamentos, orações, hinos e rituais que foram escritos pelos sacerdotes ao longo da longa história do Egito. As várias cópias do Livro dos Mortos contêm cerca de 200 feitiços diferentes que receberam números de capítulos para que, por exemplo, qualquer feitiço relacionado ao fato de o coração não se opor ao falecido seja encontrado no Capítulo 30.

O Livro dos Mortos evoluiu a partir dos TEXTOS DAS PIRÂMIDES e dos TEXTOS DOS SARCÓFAGOS. Enquanto os Textos das Pirâmides eram feitiços mágicos apenas para os faraós, os Textos dos Sarcófagos podiam ser usados por qualquer pessoa que pudesse pagar para ter um sarcófago esculpido ou pintado com inscrições mágicas. Com o tempo, havia feitiços demais para caber no sarcófago, e o Livro dos Mortos foi a solução para o problema. Agora, todos os feitiços mágicos podiam acompanhar o falecido, pois podiam ser escritos em papiro e colocados na tumba com a múmia.

Os escribas preenchiam rolos de papiro com feitiços de proteção, bem como com instruções sobre como se comportar e como fazer o corpo funcionar novamente no mundo vindouro. Geralmente, o Livro dos Mortos tinha quatro seções:

  1. como proteger o corpo na tumba.
  2. como fazer a jornada para o Além-túmulo.
  3. como passar pelo julgamento dos deuses.
  4. como existir no mundo vindouro, depois de ter sido aceito pelos deuses.

O Livro dos Mortos

Cerca de 200 feitiços ou capítulos diferentes aparecem no Livro dos Mortos, mas eles não aparecem em uma ordem fixa. Os livros escritos no norte ou no sul do Egito tinham um estilo particular. O verdadeiro título do Livro dos Mortos é A saída para o dia, que pode se referir ao falecido saindo para o Além-túmulo. Os egípcios temiam a noite, e teria sido considerado uma vantagem fazer a jornada durante o dia. Independentemente do que o título significasse, ele era indubitavelmente uma referência à morte. Os antigos egípcios não mencionavam a morte diretamente, mas tinham muitos eufemismos ou nomes para a morte e para o falecido. Por exemplo, como a margem oeste do Nilo estava associada à morte (o sol morria ali todos os dias e os mortos eram enterrados em cemitérios no lado oeste), se alguém morria, dizia-se que ele tinha ido para o oeste. Os mortos eram chamados de Ocidentais ou Justos de Voz.

Muitas das versões tebanas do Livro dos Mortos contêm hinos aos deuses, especialmente a OSÍRIS, o deus dos mortos. Um exemplo abreviado do hino a Osíris, do papiro de Ani (um escriba da Décima Oitava Dinastia), diz:

Adoração a Rá quando ele aparece no horizonte oriental do Céu.

Eis que Osíris, o escriba das oferendas divinas de todos os deuses, Ani. Ele diz: louvor a ti que vieste como Khepri, o deus da existência que é o criador dos deuses... Que ele conceda prazer e poder como alguém que está morto. A alma vivente [de Ani] sai para ver Hórus dos dois horizontes, a alma de Osíris, o escriba Ani, justo de voz perante Osíris.

Este hino de louvor a Osíris menciona duas características importantes do falecido: o BA, que tem sido traduzido como alma, e o KA, que era uma espécie de duplo espiritual. Os egípcios acreditavam que uma pessoa tinha cinco elementos diferentes: o corpo físico, a sombra, o nome e, o mais importante, o ba e o ka. O ba era representado como um pássaro com a cabeça do falecido e parecia passar a existir separadamente apenas após a morte da pessoa. O ba era essencial para a existência do falecido no Além-túmulo.

Um trecho do Livro dos Mortos. (Fotografia de Manfred Werner)

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O ka era uma espécie de duplo abstrato do falecido que precisava de um lugar para viver. Sua primeira escolha era o cadáver, mas, caso o corpo fosse danificado ou destruído, muitos egípcios eram enterrados com uma ou mais estátuas de ka esculpidas à sua semelhança para que o ka pudesse habitar dentro da estátua.

Os egípcios eram quase enciclopédicos em sua preocupação com as várias partes do corpo. O Livro dos Mortos parece ter sido escrito por sacerdotes que elaboraram uma lista de todas as partes do corpo que seriam necessárias no mundo vindouro e depois criaram um feitiço para protegê-las, como nos seguintes exemplos:

O Capítulo de Não Permitir que a Cabeça de um Homem Seja Cortada no Além-túmulo.

Eu sou o grande, filho do grande. Sou o fogo, filho do fogo, cuja cabeça lhe foi dada após ter sido cortada. Sua cabeça não lhe será retirada.

Quando o Livro dos Mortos apareceu pela primeira vez no Novo Império, era considerado essencial para qualquer pessoa que buscasse a imortalidade ao resseuscitar no Além-túmulo. Essa crença no Livro dos Mortos continuou até bem dentro do período da ocupação grega do Egito. Os próprios textos permaneceram praticamente inalterados por mais de mil anos. Sem dúvida, muitos dos que compraram cópias do Livro dos Mortos não conseguiam lê-las, mas isso não era motivo de grande preocupação. O importante era ter as palavras mágicas que os guiariam em segurança para o Além-túmulo.